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MINHA CIDADE
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Soneto do amor
demais
Não, já não amo mais os
passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores
despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.
Não
amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de
ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho
medo
Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der
resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada
E
que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que
de mim só quer amor - mais nada.
De
Vinícius de Moraes
☆Rabiscado por: ღღ Vida ღღ às
19h43
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A tua voz fala amorosa...
Qual é a tarde por achar
Em que teremos todos razão
E respiraremos o bom ar
Da alameda sendo verão,
Ou, sendo inverno, baste 'star
Ao pé do sossego ou do fogão?
Qual é a tarde por voltar?
Essa tarde houve, e agora não.
Qual é a mão cariciosa
Que há de ser enfermeira minha
Sem doenças minha vida ousa
Oh, essa mão é morta e osso ...
Só a lembrança me acarinha
O coração com que não posso.
Fernando Pessoa
☆Rabiscado por: ღღ Vida ღღ às
17h55
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